quarta-feira, 8 de agosto de 2012
pra ver se você volta
às vezes penso nele como se sentisse saudade de uma parte do meu corpo que precisou ser amputada para salvar minha própria vida. como se eu tivesse perdido algo que não pudesse mais recuperar. como se nenhuma ciência, religião, livros na estante ou palavras bonitas escritas pelas minhas mãos fossem capazes de trazê-lo de volta. penso nele e um segundo depois me pergunto se um dia, talvez, sem querer, ele numa curva sentiu falta também.
eu costumava dizer aos outros que não parecíamos em nada - éramos opostos atraídos numa perfeita alusão contrária à física. ele revelou ser tudo que, durante muito tempo, eu precisava ter. estávamos fisicamente comprometidos mas nos amávamos sem contrato, sem data de fabricação ou validade e sem planos para o futuro. aí resolvemos aproveitar os dias nos acostumando com os prazeres da conversação espontânea, com manifestações de carinho embaixo dos lençois floridos e com as ligações preocupadas via celular feitas no caminho de ida e volta da faculdade. aceitamos, sem ler as regras, uma vida de casal maduro que tomava decisões juntos. deitada em seu ombro quente eu me curei da tosse, do ronco, do tédio e da insônia. as semanas seguintes terminaram em vitamina de mamão e amor.
ele era atencioso, responsável e inteligente mas não conseguia se organizar. e eu, preocupada, acabava bordada em lembretes no mural do quarto e jogando água nas panelas de arroz duro em cima da pia. éramos alunos em todos os sentidos da palavra. nossas experiências e descobertas se misturavam ali, no colchão no chão. eu estava animadíssima e adorava aquela vida: lia e relia seus trabalhos da faculdade, opinava, corrigia, botava vírgula, tirava vírgula enquanto ele, deitado em minhas coxas, fuçava meu celular em busca de qualquer coisa que sei lá o que. depois dormíamos ali mesmo com as pernas enroscadas entre os livros e as roupas e os corpos suados. viramos amigos de infância, cúmplices de uma vida doce, ambígua, atrapalhada. vida louca.
da noite pro dia César foi embora. do jeito mais sutil foi se afastando e ocupando cada vez menos o espaço a ele reservado. percebendo que ele estava prestes a não me querer mais, empinei o nariz e disse que ele era livre para voltar quando quisesse - se quisesse. César ergueu uma das sobrancelhas, virou de costas e desde então nunca mais o vi.
terça-feira, 10 de julho de 2012
Let me take you down
"Permita que eu te deixe pra baixo.Vamos lá, hoje é o dia da decepção mesmo, não é?Eu volto amanhã pra casa e a gente vai parar de se ver. Vai ser melhor assim, sem beijos, sem lágrimas, sem quebrar nenhum prato nos azulejos da pia. Mas por falar em pratos, você devia vir jantar aqui comigo hoje. Eu abri um vinho, pedi uma pizza e aluguei alguns filmes. Você pode vir a hora que você quiser. Te comprei um presente. Não, eu não aceito que você diga não. Por favor, vamos lá, aceite. É só mais uma coisinha pra você lembrar de mim. Será que um dia você vai criar coragem de viajar comigo? Não vou poder te levar pra Dubai, você precisa entender. Por favor, pare de chorar. Ainda tenho aquela casa no Líbano, que é sua também, quer dizer, pode ser se você me disser que se atreve a deixar o Brasil pra ir viver comigo debaixo dos arranha-céus. Vai, olha pra mim, me prometa que vai ficar tudo bem. Eu te amo, mas amanhã, realmente, eu preciso voltar pra casa porque as crianças esperam por mim.Com amor,Sam."Pegou o avião e me deixou.
sábado, 31 de dezembro de 2011
Devaneios
Tenho sido perseguida pelo branco filosófico dos poetas. Não durmo direito, não como direito e mal consigo escrever. Vivo agora totalmente à mercê de ressacas sem fim. Mas, antes que termine o ano, eu precisava contar uma história sobre Marina. Foi lindo encontrar aquele cartão publicado na internet mesmo que com uma falsa história. Mas eu sabia exatamente do que se tratava.
Era 25 de Janeiro e São Paulo fazia aniversário debaixo de chuva. Marina estava em casa esperando a água do café ferver. Distraída, deixou aquele copo de água cair sobre seus dedos. A casa, na verdade, era pequena demais: sala no quarto, cozinha na sala e uma varandinha com ventos bons vindos de lá pra cá. Nos minutos seguintes, Marina esmagou pedras de gelo contra a mão para passar a dor.
Do outro lado da cidade estava Raul: Para ele seria mais um dia de trabalho, e, para fugir da rotina, conectou-se à internet em seu celular naquele instante. Sem saber, Marina conectou-se usando o "pc lata veia", como ela chamava, enquanto o gelo fazia efeito. Talvez, se o café não tivesse passado do ponto, ou se não houvesse gelo no refrigerador, ou até mesmo se Marina não estivesse distraída ouvindo música, ela teria se conectado 10 minutos antes, esvaziado a caixa de emails e desligado o computador. Mas, não foi assim que as coisas aconteceram. Ao mesmo tempo, Marina e Raul uniam seus destinos, sem nem saber como.
Das horas conversando sobre panquecas, florestas com plantas carnívoras e jacarés famintos até o ápice da história romântica não demorou muito. Se acostumaram a ouvir a voz um do outro, cantavam músicas de ninar, pediam conselhos, decidiam juntos o que iam cozinhar ou vestir. Não comiam, não bebiam nem dormiam. A única coisa que provava que eles existiam era o coração, que por vezes pulsava nos corpos fracos debruçados em suas camas, separados. Sem nunca um ter visto o outro, faziam planos o tempo inteiro e preenchiam o calendário, ocupando todas as datas com aventuras avassaladoras que talvez nunca chegariam a acontecer.
Agora juntos e de mãos dadas (ela, sempre à direita de Raul) pela Avenida Paulista tudo podia acontecer: nada mais importava. Aquela era a hora certa pro mundo acabar, de telhas voadoras se arremessarem contra as pessoas, dos jacarés famintos do pântano atacarem a cidade. Marina queria gritar alto sobre seu novo amor, queria beijos de cinemas, queria escrever sobre ele, fotografá-lo de todos os ângulos possíveis, para que daqui a 50 anos ela pudesse comparar e perceber que em uma coisa nada iria mudar: durante 50 anos ele acordaria todos os dias e a enxergaria como a primeira vez em que a viu.
Entretanto, uma coisa ruim aconteceu, mas eu não queria comentar aqui. Acreditem, doi até em mim ser a mensageira das causas tristes e contar sobre o final. Só posso induzi-los a imaginar o nosso segredo mais profundo sendo descoberto, aquilo que ficou guardado imerso em nossos pensamentos, aquele tipo de coisa que, dentro da sua alma, você tenta esconder da sua própria alma.
“E o que faremos agora?”, disse Raul.
“Vamos esperar. Cada um vive a sua vida agora e se nos encontrarmos outra vez por acaso, eu quero olhar nos seus olhos e sentir que ainda te amo”
“A gente pode tentar melhorar...”, dizia Raul ao ser interrompido por Marina. “Não. Eu acredito no nosso destino. Encontraremos-nos, seja onde for, quando for. E então, continuaremos de onde paramos. E paramos aqui.”
Por meses não se teve notícias de Marina. Desvairou pelo mundo em busca do amor próprio. Com os olhos penetrantes, profundos, negros e fieis acima de um espontâneo quase-sorriso daqueles que as modelos ficam horas ensaiando na frente do espelho, Marina fixava seus sentidos (apuradíssimos) no ar. Era a mesma pele dourada e o mesmo ar de sedução: Marina estava no mundo pronta para matar. Unhas? Vermelhas. Longos cabelos lisos. As fotos no sofá não me deixam mentir. Os demais viam que era a mesma foto e o mesmo sofá vermelho de sempre. Mas só eu conseguia enxergar que apenas a foto e sofá se repetiam: Marina já não era mais a mesma.
Os olhos de apetite ainda olhavam fixamente para as desgraças da vida, mas agora viam o nada. Cabelos? Cortados no ombro. As unhas estavam menores. Marina passou noites em claro sem conseguir escrever nada. Até escrevia, mas tudo estava meio desorganizado, e nada virava texto. Magra, de ombros a mostra, brigando de lutinha com a câmera fotográfica e brava feito bicho, chegava em casa de bico grande e arrancava a roupa para jogar no chão. Deitava na cama com as pernas para o ar e passava a madrugada inteira desejando todas as coisas que não se pode ter. De porre, enviava emails com declarações amorosas e no bar fazia ponto. Ligava para os ex namorados e desvairava a verdade nua e crua em posts no facebook. Acordava vira-lata, meio tonta, meio chata, meio deprê. Totalmente à mercê de ressacas sem fim.
Ao ler o que estava escrito, Raul sentou no sofá e fechou os olhos. Ele sabia exatamente do que se tratava. Marina não era do tipo que escrevia "Te Amo" ou "Volta pra mim". Era gente grande. Tomava decisões de gente grande e se portava como tal. Raul então correu pro quarto, foi ficar bonito, vestir aquela camisa branca de mangas longas que Marina sempre ameaçou arrancar e jogou o bilhete em cima da cama. Nele estava escrito mais ou menos assim:
“Nós dois estaremos no mesmo lugar hoje a meia noite. Feliz ano novo. E, por favor, me encontre...”
E hoje, quando o ponteiro marcar meia noite, olhem pro céu. Quando os fogos começarem a explodir, vocês saberão o que está acontecendo. Em algum lugar da cidade – não se sabe onde – uma flor encontrará seu verdadeiro amor.
E a vida de alguém vai sorrir outra vez.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
o pedido na estrela

segunda-feira, 11 de julho de 2011
sobre suas canções de amor

7h00 da manhã e eu estava dentro de um ônibus lotado que ia em direção ao meu trabalho. No mp3, suas músicas estão salvas em ordem alfabética [sendo a primeira aquela que ele nem sequer compôs pra mim]. Sei que qualquer coisa que eu falar agora ou frase pronta que eu escrever vai parecer verso de samba, e eu nem quero, sabe? Nem quero começar a contar meu dia escrevendo “hoje” [e até exclui da primeira linha, deixando meu início sem sentido] porque além de te revelar e estragar o mistério do meu texto, estaria fazendo alusão a canções que não quero mais ouvir.
Então, chega. Estava eu com meus fones brancos [da cor da minha alma] ouvindo aquelas músicas. O que antes parecia ser doce, hoje não fez meu coração bater mais forte. Sim, eu amo canções que falam de amor [mesmo que seja o amor alheio que não me inclui], mas hoje nem estalou nada em mim, nadinha. Hoje eu não cantei errado com você e nem sorri no final do meu erro. Daquela sua voz de veludo sobrou apenas a respiração ofegante que parecia sufocá-lo ao começo de cada verso. Da melodia apaixonante dedilhada num violão bonito, sobrou apenas o barulho das palhetas tangenciando as cordas da maneira mais agressiva possível.
Não ouvi canções de amor. Não hoje. Olha que trocadilho divino: “hoje não”. Ouço somente a asfixia de uma voz que parece nem ser mais a mesma, gritando palavras que minha mente insiste em substituir por "bla, bla, bla" e uma palheta rangente que só serve parar triturar as partículas de sentimento que eu um dia ousei te oferecer.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Tudo o que a água não levou

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
sábado, 6 de novembro de 2010
Casa da Liz - Aqui reside o amor do Fernando
sexta-feira, 23 de julho de 2010
she loves you ya ya

domingo, 27 de junho de 2010
"não era bem isso que eu queria"

sábado, 19 de junho de 2010
Diego, Diálogos, Diélogos

Em um pedaço de um guardanapo de papel sujo de catupiry eu escrevi:
Coma quantas girelas o salário te permitir, decida, argumente, diagrame quantas páginas quiser. Aprenda outras línguas, conheça outras pessoas. Ame e sofra quantas vezes for possível. Deixe seu cabelo sempre assim. Porque eu estou enquanto você é. Renove-se.
Hoje eu te olho, te questiono, e como trilha sonora eu ouço aquela música que diz 'sei que o amor é cego e meus conselhos são sem efeito...' mas se quiser me ouvir um dia, entenda: eu vou sempre estar aqui por você. Porque eu estou. Você é."
E por ser, ele me respondeu assim:
"Às vezes tem coisas que nos deixam menos importantes frente as coisas ruins que nos acontecem sempre e sempre. Uma caneta, um pensamento e um pedaço de guardanapos é o tesouro que mais reverencio no dia de hoje. Obrigado Alexia, divina correspondente dos infelizes. Sempre com o sorriso mais tênue de simplicidade e um leve tom tímido. Meu coração sorri (mesmo sem tal majestade de ser admirado) para você no dia de hoje.
As pessoas podem mudar, crescer, fugir de seus costumes, mas estou aqui e, sim, sou.
quinta-feira, 3 de junho de 2010
#bombanasj

sábado, 29 de maio de 2010
meus quase dezenove

sábado, 8 de maio de 2010
A mais bela paisagem do mundo

domingo, 2 de maio de 2010
O destino da menina que foi a cara de uma guerra

Era um garoto que como eu, amava os Beatles

sábado, 24 de abril de 2010
Fonte de minha inspiração fotográfica: Diane Arbus.













quarta-feira, 21 de abril de 2010
Viajante por opção (dos outros) Parte I

sábado, 17 de abril de 2010
nada
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Hey Jude, não fique assim...
http://www.youtube.com/watch?v=orukqxeWmM0&feature=player_embedded
quarta-feira, 7 de abril de 2010
sem lenço, sem documento

Saí de casa (de novo). Meus olhos estão cobertos de olheiras e meus ombros cada vez mais caídos. Creio que é o cansaço, ou talvez a falta de alimentação constante. Não importa. Estou feliz, sou feliz. Dona das rédeas da minha vida. Achei que controlava apenas a entrada e saída de dinheiro (trabalho no setor financeiro de uma empresa de contabilidade), mas descobri que controlo minha mente, meus sentimentos, as batidas do meu coração. Sou capaz de chorar a hora que eu quiser. Agora estou chorando. Fim. Não estou mais. Agora quero gritar "eu sou capaz" e chutar a bunda da inveja. Esqueci minha toalha no banheiro, mas meu salário aumentou e eu vou comprar uma toalha preta para tirar os restos de qualquer partícula maldosa que possa se instalar entre minhas articulações. Quero crescer, construir, modificar. Quero provar que sou, que posso, que consigo, que vim e vou ficar. Mamãe e papai, I love you.
sexta-feira, 2 de abril de 2010
TEMPO, TEMPO, TEMPO, apareça!

sábado, 27 de março de 2010
MAIS AMOR, POR FAVOR!
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sábado, 27 de fevereiro de 2010
changes

domingo, 31 de janeiro de 2010
"você não merece tudo o que eu ouso sentir"

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Assalto



